Escotismo é ferramenta educativa para saúde física e mental


Criado há mais de 100 anos, o Movimento Escoteiro auxilia no desenvolvimento de uma vida saudável na modernidade.




Foi em 1907 que Baden-Powell, ex-militar do exército Inglês, fundou um movimento jovem de educação não formal, chamado Escotismo. Por mais de 100 anos, a ideia de desenvolver o bom caráter dos adolescentes continua forte. E, além disso, cumpre um papel importante na conscientização da melhoria da saúde física e mental.

É por meio de atividades ao ar livre, trabalho em equipe e superação de desafios que mais de 80 mil escoteiros do Brasil* aprendem sobre a comunidade em que vivem, o cuidado com o planeta e, mais ainda, com a própria saúde.


Por ser um movimento voluntário, precisa vir do jovem o desejo de ser escoteiro e viver as experiências proporcionadas pelo movimento educativo. Mas, para isso, é necessário estar disposto física e mentalmente para exercer as atividades propostas.

Ferramenta de educação não formal, o Escotismo ultrapassa as barreiras e se firma como um movimento educacional por proporcionar aos jovens desenvolvimento em diferentes áreas (físico, intelectual, social, afetivo, espiritual e de caráter), de forma sempre contemporânea e variada.




ESCOTISMO ATUANDO NA SAÚDE FÍSICA

A saúde física conta muito para o pleno desenvolvimento do jovem dentro do Escotismo. Quem confirma essa teoria é Cláudia Cardoso, chefe escoteira do 33º Grupo Escoteiro do Ar Padre Vermin, que fica em Jacarepaguá.

Cláudia é também profissional de educação física, natação e corrida de orientação. Formada pela UFRJ, ela decidiu cursar essa área por já ter familiaridade com o Movimento Escoteiro e gostar de atividades dinâmicas e que exercitem com o corpo.

A escotista comenta a importância do cuidado com o corpo e com a alimentação para realização de atividades que exigem do jovem um preparo físico adequado:




O escotismo é um movimento de conscientização e mudança. E Maria Cecília Gatti, de 18 anos, confirma essa teoria na prática. Ela é escoteira do 135º Guia Lopes de Bauru, em São Paulo, e já enfrentou dificuldades quando mais nova por conta do despreparo físico. A jovem tinha problemas no joelho por causa do sobrepeso corporal.

Maria Cecília conta que as atividades de jornadas e rapel eram sempre limitadas a sua participação. Foi então que decidiu mudar o estilo de vida que tinha, e agora faz treino funcional e reeducação alimentar, com acompanhamento de um profissional.

- Fisicamente, eu percebi que a partir do ramo sênior eu tinha um monte de restrições e nunca podia participar das atividades por isso. Me desmotivou muito. Mas hoje eu tô com uma vida completamente diferente em exercício/alimentação porque eu lembro como aquilo era ruim. Aprendi que limite é só uma coisa que a gente inventa, e com isso consegui focar mais nos meus objetivos - afirma Maria Cecília.




ESCOTISMO ATUANDO NA SAÚDE MENTAL

Além do físico, não é segredo para ninguém que uma mente mais alegre é uma mente mais disposta, mais criativa. O Movimento Escoteiro, neste caso, funciona como uma vida de mão dupla.O jovem escoteiro deve estar disposto mentalmente para praticar atividades diversas dentro da rotina escoteira, e essas atividades mudam a mente do jovem.

Bruno Sobrosa tem 19 anos e escoteiro do 37º Grupo Escoteiro Fernão Dias Pães Leme, em Duque de Caxias. Antes disso, além de ser uma criança tímida e com dificuldades para se relacionar com outras pessoas, Bruno tinha até amigos imaginários, pois não conseguia criar novos laços de amizade.

Foi em uma consulta com sua psicóloga que a família do jovem conheceu o Movimento Escoteiro. Desde então, Bruno teve melhoria de comportamento, de aceitação e, o melhor de tudo, arrumou uma nova paixão: o Escotismo.

- Eu era uma criança completamente sozinha, não tinha amigos. Eu me trancava muito na minha bolha, sabe? Eu tinha amigos imaginários, e lembro disso até hoje! Mas, ah… O Escotismo me trouxe de volta para o mundo emoldou minha mente e meu amor. - afirma Bruno, escoteiro há 10 anos.




A psicopedagoga Janine Hofmeister faz parte da diretoria do 82º Grupo Escoteiro Castelo Branco, no Jardim Botânico. Ela é formada em Pedagogia pela UFRJ e Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Cândido Mendes.

Janine defende o Movimento Escoteiro como ferramenta para contribuir na melhoria da saúde mental.

- Acredito que o escotismo ajuda sim a melhorar a saúde mental, uma vez que propõe atividades interessantes, progressivas e variadas, respeitando os limites de cada um, sem menosprezar o indivíduo. Eu percebo que os jovens que são escoteiro convivem com facilidade com diferenças e características, facilitando assim o convívio em grupo. Um escoteiro trabalha muito melhor em equipe do que um indivíduo que não teve oportunidade de vivenciar os preceitos do escotismo. - afirma a psicopedagoga.

*Os dados foram retirados do site Escoteiros do Brasil (http://www.escoteiros.org.br/escoteiros-do-brasil/)



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